Definição

 

O trauma genito-urinário é a lesão adquirida no aparelho urinário (rins, ureteres, bexiga e uretra) de ambos os sexos ou nos órgãos genitais masculinos (bolsa escrotal, testículo e pênis)  e genitais externos femininos (grandes e pequenos lábios, clitóris), que pode ser causada por agentes  penetrantes (como projétil de arma de fogo), agentes perfurantes (como golpe de faca ou estilete), trauma fechado, (desaceleração num acidente de trânsito), trauma cirúrgico (lesão do aparelho urinário ao se intervir em outros órgãos ou por manipulação cirúrgica do aparelho urinário), radiação (queimaduras por agentes físicos (radioterapia, fogo) ou químicos (ácidos, etc.) e o trauma mecânico (arrancamento, mordedura animal, laceração, cisalhamento, etc.), muito frequente na área genital..

No trato genito-urinário, as principais manifestações incluem a presença de sangue na urina (hematúria), pouca urina (oligúria) ou ausência de urina (anúria) e a dor. Na região afetada pode haver equimose (manchas arroxeadas na pele), dolorimento importante e edema (inchaço) local. Numa lesão séria dos vasos sanguíneos do rim (artérias e veias) pode sobrevir o choque (queda rápida da pressão arterial) pelo sangramento. O diagnóstico e o tratamento imediato podem salvar vidas e são essenciais para preservar a posterior função do órgão afetado.

As pessoas que tem de apenas um rim, congênito ou adquirido (cirurgia), devem ter este importante detalhe anotado em seus documentos (carteira de identidade) e bem visível em caso de acidente, para que o médico socorrista possa identificar de início esta condição particular.


 

Trauma Renal
 

A causa mais comun é o trauma externo fechado, isto é, o acidentado (atropelado, queda de altura, motociclista, motorista, passageiro,etc...) que bateu o abdômen e/ou tórax e, pela desaceleração súbita, o rim, órgão pouco mais denso que uma esponja e ricamente irrigado pelo sangue, rompe-se, extravasando sangue e urina para a cavidade. A lesão vai variar de acordo com a gravidade do acidente, podendo ir de uma simples ruptura da cápsula (tecido resistente que envolve o rim) até a fragmentação ou "explosão" renal. Como a lesão é interna e geralmente o acidentado está inconsciente, temos que realizar alguns exames logo que estabilizarmos as condições clínicas do acidentado. Podemos nos valer desde uma simples ecografia ou urografia excretora até, onde disponível, a tomografia computadorizada.

Ao trauma externo, seguem-se as lesões por arma de fogo e arma branca (lamina cortante). A grande maioria destas lesões acaba em cirurgia de urgência e a integridade dos rins é verificada durante a operação.

 


Trauma Ureteral

 

A grande maioria das lesões ureterais é ocasionada por cirurgias pélvicas (ginecológicas, urológicas, intestinais) e não é reconhecida até que surgirem os sintomas obstrutivos, dor, infecção, febre e fístulas (saída de urina pela região operada) e anúria (parada de eliminação da urina) quando trauma for bilateral.

Seguem-se as lesões perfurantes ou penetrantes secundárias a acidentes com arma de fogo e arma branca. Habitualmente as lesões ureterais são reconhecidas pela urografia excretora ("stop"do contraste ou extravasamento deste para a cavidade ou fístula) e requerem revisão cirúrgica para correção.

 


Trauma Vesical (bexiga)

 

Aqui, a grande maioria das rupturas é pelo trauma externo fechado e tem como causa principal, a bexiga cheia durante o percurso. Isto é, a bexiga cheia de urina absorve o impacto, mas não tem resistência suficiente e explode como um "balão de ar". Com sua ruptura, a urina e o sangue resultantes perdem-se pela cavidade peritoneal (intestinos) e fazem uma peritonite química e infecciosa que cursa com muita dor.  Além disto, pode haver sangramento pela uretra e/ou urina com sangue. Os acidentes automobilísticos encabeçam a lista deste tipo de lesão. O diagnóstico é feito através de exames de RX com contraste estéril, que desenhará a ruptura, o extravasamento e o deslocamento da bexiga, bem como a integridade da uretra, antes de qualquer tentativa de sondagem uretral.

Seguem-se aqui as lesões por arma de fogo e arma branca, que a exemplo das acima descritas requerem revisão cirúrgica.

Um ótimo conselho: antes de viajar (de automóvel, motocicleta, ônibus, etc.), esvazie sempre sua bexiga e oriente ao mesmo seus familiares e amigos.


 
Trauma Uretral
 

A uretra é lesada facilmente nas quedas a cavaleiro, com ou sem lesão perineal conjunta. Deve ser sempre considerada na presença de fratura da bacia com sangramento uretral, quando a tentativa de passagem de sonda deve ser evitada até se obter exame de RX que evidencie ou não a lesão. Se esta estiver presente (ruptura ou desgarramento total) deve-se colocar a sonda na bexiga através da pele do abdômen, por uma cistostomia suprapúbica, assim não traumatizando ainda mais a uretra.


 
Trauma Genital
 

Apesar de observarmos lesões frequentes por agentes perfurantes ou penetrantes, temos nas lesões por esmagamento ou avulsão (arrancamento) as mais graves. As lesões por esmagamento e ou avulsão são comuns em trabalhadores industriais e agrícolas, quando suas roupas ficam presas nas máquinas. Traumas resultantes de relação sexual intempestiva ou com pouca lubrificação podem resultar em fratura de corpo cavernoso e impotência. Trauma testicular por chute ou outros golpes marciais também são comuns na prática diária. Lembro ainda aqui as lesões ocasionadas por mordedura animal (cães) na genitália.

Em todas vamos observar dor e edema local seguido rapidamente por equimose ou hematoma importante. Muitas vezes, nos traumas fechados, apenas o tratamento conservador é suficiente.

 


Trauma Raquimedular
 
Bexiga Neurogênica

O índice de complicações urológicas dos traumas raquimedulares (lesão, geralmente por fratura das vértebras com compressão ou secção da medula espinhal) diminuiu muito com o cateterismo de alívio (cateterismo intermitente), prevenção e tratamento dos cálculos renais e com organização de grupos especializados em tratar o lesado medular. As complicações mais freqüentes, bem como as principais causas de morte são as renais, isto é, embora o rim não seja afetado diretamente pelo trauma, suas conseqüências são extremamente deletérias (prejudiciais) aos rins, órgãos vitais, nos quais uma simples infecção urinária acaba se complicando gravemente pelo não funcionamento adequado da bexiga.

A sobrevida do lesado medular não depende somente do nível da lesão (quanto mais alta mais grave, pois tende a comprometer maior número de nervos), mas também da motivação do indivíduo durante sua reabilitação e do seguimento de perto pelo médico, aqui o urologista. A principal preocupação do urologista é a preservação da função renal, uma vez que, conforme dito acima, as alterações das funções vesical e esfincteriana podem ser diagnosticadas antes das complicações e danos renais irreversíveis se manifestarem. Após iniciados os cuidados com a função renal, o próximo passo é o controle da incontinência urinária, infecções urinárias de repetição, disfunção erétil e da disreflexia autonômica (sudorese, bradicardia e hipertensão arterial, quando a bexiga está cheia, por exemplo), esta última com grande impacto na qualidade de vida dos pacientes.

 

 
Choque Medular

 

Após o trauma raquimedular, existe um período transitório chamado de Choque Medular, caracterizado pela falta de reflexo da musculatura esquelética abaixo do nível da lesão medular e supressão dos reflexos viscerais (órgãos internos). A duração da fase de choque medular varia desde poucos dias nas lesões incompletas (sem secção) até semanas ou meses nas lesões completas. Os primeiros reflexos a reaparecerem após esta fase de choque, são o genital (bulbocavernoso) e anal. A bexiga nesta fase, tem como característica principal a falta de contratilidade e reflexos, formando bexigas de grande capacidade (atônicas), que não se esvaziam espontaneamente.

Na fase de recuperação, poderão surgir arcos reflexos ("inervação opcional") que levem ao aumento gradativo das contrações do músculo detrussor (músculo da bexiga - ver Anatomia) que podem ou não (as contrações) serem coordenadas com o esfíncter externo (músculo que controla a urina, que usamos para cortar o jato urinário), resultando em esvaziamento completo se houver coordenação e força suficientes e esvaziamento incompleto, se houver descoordenação (dissinergia detrussor-esfincteriana).

Em construção.

 

 
Auto-Cateterismo

Auto-cateterismo é uma técnica utilizada para esvaziar sua bexiga quando você não é capaz de urinar normalmente. O profissional da área médica verá qual é a melhor maneira de executar este procedimento, evitando infecções e proporcionando-lhe uma vida mais confortável.

Ocasionalmente, pessoas submetidas a certos tipos de cirurgia, ou vítimas de traumatismo medular, podem perder a capacidade de urinar normalmente e o auto-cateterismo se torna necessário. Isto ocorre porque estas situações podem levá-la a permanecer com grande quantidade de urina na bexiga após urinar (urina residual) ou não ser capaz de urinar de forma alguma (retenção urinária).

Cateterização significa introduzir um fino tubo, denominado cateter, através da uretra até a bexiga. Desta maneira, a urina acumulada na bexiga sai através deste cateter, permitindo que a bexiga se esvazie completamente, simulando o comportamento natural da mesma: ficar cheia e vazia.

1. Auto-Cateterismo em Mulheres

2. Auto-Cateterismo em Homens

 

Em construção.